quarta-feira, dezembro 04, 2013

"Cultura da Vítima"

Sabe, eu sinto falta de lidar com as crianças, elas não se deixam enganar por certezas, tem a flexibilidade pra mudar e pra conviver com as diferenças (sem que entende-las seja realmente importante). Eu tento rever o que eu penso o quanto posso, a cada post ou comentario que leio. E eu me vejo caindo no tal efeito vareta, puxando radicalmente para o lado oposto de cada coisa da qual discordo. Não quero ser assim... mas é difícil.

Em fim, aos poucos vou desistindo de falar com as pessoas e de comentar o que elas escrevem, embora eu saiba que no fundo a maioria delas esta "morrendo" por um comentário, qualquer comentário que seja, algo que as faça sentir que foram vistas e lidas. E eu estou aqui postando no blog "invisível" enquanto isso.

Hoje li um texto interessante sobre a cultura da vítima, ser vítima é um papel que o individuo escolhe representar em maior ou menor grau. Eu não estou dizendo que não existem vítimas ou que a violência é fake, nada disso. Eu estou dizendo que existe a postura de vítima, o lugar social de vitima e esse é um lugar no qual as pessoas podem ser colocadas contra sua vontade e ali decidirirem ficar por mais ou menos tempo, mas também é um lugar onde muitos se sentem confortaveis e se enfiam sozinhos.

Por fim, li a noticias das feministas que atacaram religiosos em Buenos Aires. Tem vários relatos históricos e estudos psicológicoss (que eu vou falhar em referenciar aqui, sinto muito) que mostram que muitas vezes quando um grupo oprimido ganha poder ele comete atrocidades ainda maiores que seus opressores. E vamos vivendo em uma situação de medo e insegurança onde “a expectativa do perigo iminente faz com que as vítimas potenciais aceitem facilmente a sugestão ou prática da punição ou do extermínio preventivo dos supostos agressores potenciais” (COSTA, 1993, p.85), mas quando 70% da população é essa vítima potencial estaremos constantemente punindo supostos agressores e gerando mais violência e mais medo, infinitamente.

Por um lado, o lado extremo da vara, eu imediatamente penso "nada como uma boa opressão", queira ou não a opressão/repressão impede as pessaos de cometerem muitos enganos e até atrocidades. Mulheres oprimidas não iam sair pichando, batendo e cuspindo em pessoas que estão só rezando, certo? Convenhamos, é um comportamendo vergonhoso e se fossem crianças diriamos "que feio isso".
É o medo de ser pego (seja por deus, seja pela policia, seja pelo que for) que impede muita gente de roubar ou fazer pior, evidentemente existem as pessoas que são naturalmente valorosas e não roubam ou matam por principio, lindo, mas para muitas outras existem regras. Para a criança mal criada existe a bronca (repressão) e o castigo (opressão) e isso impede que ela faça feio ou cause problemas para si e para os demais. Vai-se soltando a criança aos poucos, não se substitui regras rigidas por abitrariedade absoluta do dia para a noite, por mais que a criança esperneie. Nossas "vitmas" estão esperneando, tem motivo em muitos aspectos. É duro para os pais admitir, e dificil enxergar, mas as vezes os filhos tem razão, ainda assim a mudança tem que ser gradual e pacifica.

Claro, como eu disse, a vareta, o momento em que eu defendo a opressão diante do comportamento, aos meus olhos descabido, dos oprimidos. Ideal mesmo seria todos nos comportarmos com moderação, não agredirmos os outros, aceitarmos que diferenças podem conviver e que na verdade essas diferenças tornam o mundo interessante. 

Ainda vai demorar para a vareta parar de oscilar, e vamos viver extremos por um bom tempo por que o nobre caminho óctuplo não é nada fácil de se encontrar. 

Vivemos em sociedade e estaremos sempre sujeitos à regras, a única liberdade real e irrestrita esta no pensamento e na imaginação, e mesmo aí existem regras.


COSTAJurandir Freire.O Medo SocialVeja 25 anos - Reflexões para o futuro. São Paulo: Editora Abril, pp. 83-89, 1993.

Um comentário:

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Comentários