terça-feira, junho 18, 2013

A Realidade Fantástica de uma Feminista

Esse é um post baseado em fatos reais. Ele é fantástico de duas formas, uma subjetiva que é totalmente atribuída a mim, a autora, tentando transformar um log chato em algo mais agradável de ser lido. Outra, mais objetiva, advem da realidade da minha interlocutora.

Tudo isso aconteceu a pouco mais de dois meses. Eu, para quem ainda não sabe, adoro RPG (Role Playing Game) e outros jogos do genero e costumo jogar online com outras pessoas. Geralmetne são jogos de texto, que lembram muito um bate-papo. E é assim que começa a nossa história.

São umas 19h e eu conecto no RRPG, mesmo antes de entrar em qualquer sala me aparece um narrador de uma mesa na qual eu havia jogado umas três sessões recentemente. Na primeira eu morri, fiz um novo personagem e joguei outras duas. Esse narrador, meio sem jeito, sugere que eu mude de personagem. Achei estranho, perguntei por que e depois de muita conversa veio a resposta clara até, algo como "as meninas estão ofendidas com a sua personagem".

Fiquei surpresa. "As meninas" são duas jogadoras que estão no grupo a bem mais tempo que eu, que era na ocasião a novata da vez. Na verdade a morte do meu primeiro personagem tinha sido justamente causada por uma dessas jogadoras, e por muita sorte nos dados, já que outro player tentou impedi-la.

Você deve estar se perguntado "Raposa, mas do que raios você estava jogando?" E a resposta assombrosa é "de pessoa normal", ou, ao menos de algo que se encaixaria no meu conceito de pessoa normal. Personagem feminina, adolescente, era um jogo de colegial, timida, introspectiva, estudiosa. Uma garota com pai, mãe e irmãos (bem, em uma mesa onde todos os outros eram orfãos vindos de abusos horriveis, talves eu não fosse tão normal), nenhuma habilidade marcial e poderes bem especificos, mais ligados a arte, em especial de animar origamis e magias de cura.

O segundo personagem seguia o mesmo estilo, um pouco menos timido, até para integrar mais rápido no grupo, um pouco mais falante do que eu gostaria mas, ainda assim, alguem que vai na escola para estudar, tem família, etc, com poderes totalmente suporter, como o de de diminuir o fluxo do tempo (ainda não podia parar o tempo totalmente), mas algo que só favorecia o grupo mesmo, por que eu tinha que ficar parada concentrando enquanto eles podiam agir em bullet time.

Todo mundo bem vestido e até então sem interesses românticos. Qual a grande ofensa nisso?

Bem, vamos  falar um pouco dos outros personagens, três deles eram lobisomens. Uma lobisomem com ares de Clawdeen foi a que me matou, forte, decidida, furiosa. Só queria saber das aulas de artes marciais e das festas. Parte disso era bem estimulado pelo mestre, claro, o cara quer mestrar um jogo de colegial mas não quer mestrar aulas, doh, seria chato mesmo mas... qual o sentido de colegial sem aulas?

A outra lobisomen não era muito diferente, loira de cabelo preso, forte, um pouco mais insegura que a primeira, lutava em forma de lobo e tinha uns poderes de vento. Outro lobisomem era um garoto que vivia fumando e bebendo (aparentemente isso é permitido da escola desse mestre) e o ultimo personagem era um meio demônio recem chegado do Japão, especialista em kendo. Moto e katana, todo jogo moderno precisa de alguem com uma moto e uma katana.

Eu, ousadamente, suponho ser a jogadora mais velha da mesa, mas posso estar errada. O jogo era em um sistema próprio do mestre, sistema no qual eu via alguns problemas mas isso nunca me impediu de jogar antes. Mesmo quando eu sofro traumas terríveis eu acho que jogar com grupos diferentes mantem a mente flexivel e no minimo me da algum XP :P

Voltando ao assunto o mestre sugere que eu fale com as jogadoras, e é o que eu faço.

Descubro que a minha personagem é ofensiva por que ela "é fraca". Eu já vi players se desentenderem  quando dois personagens tem especialidades muito parecidas e nenhum deles consegue aparecer o suficiente no jogo, mas essa situação que me apresentavam era totalmente nova e inesperada. Pedi esclarecimentos.

"Nós vivemos num tempo de luta pelos direitos das mulheres e você faz um personagem retrogrado e fraco. Eu te matei no primeiro jogo e você não pode se defender nem com ajuda do Tsune. Personagens assim são um escárnio do que as mulheres deveriam ser."

Na verdade eu não tentei me defender. Tinha um monstro enorme na minha frente e tudo que eu poderia fazer era curar o grupo, que ainda nem havia se ferido por que na primeira rodada do combate a tal lobisomem decidiu me atacar em vez de atacar o monstro.

(Off: Imaginem isso em termos de D&D, rola iniciativa e o guerreiro ataca o clérigo. WTH?!)

Até o mestre ficou surpreso, ela me batia, eu me curava, o tal Tsune tentava parar ela, o monstrou ficou olhando, o resto do grupo ficou olhando, turnos e turnos depois eu morri.

De qualquer forma eu ter precisado e aceitado ajuda era ofensivo, não deveriam mais existir personagens femininos assim. Os personagens femininos tem quer mais "prafentex". Poderosos, ousados, decididos, seguros de sí. Segundo o argumento dela, mulher que aceita ou precisa de ajuda ofende (a capacidade?)  outras mulheres.
Sério que o feminismo realmente quer que o mundo caminhe para esse nível de invidualismo e apatia?

Eu disse que não concordava com isso, que as pessoas no mundo real não são sempre assim. Ela me explicou que as mulheres não são todas assim por que são reprimidas pelo machismo, e se eu acho certo fazer personagens como as que eu fiz eu sou machista.

Embora eu não me ache feminista (eu gostaria que houvesse um termo mais adequado para uma equidade de genero) nesse momento eu tive que dizer que de certa forma eu era feminista, feminista por que eu acho que a mulher tem que ter o direito de votar, trabalhar, ser remunerada, ir a escola, cuidar dos filhos, ter poderes, salvar o mundo, ou não, sem ter que se comportar exatamente como um homem se comporta para isso. É razoavel que elas possam fazer todas essas coisas e outras, dedicando-lhes qualquer combinação de tempo, sem ter de fazer isso como os homens fazem.

Machista (como se isso fosse alguma ofensa, não acho que seja também) é ela; jogando de "lobisomem" e não de "lobismina" ou sei lá. Dar um lugar justo para a mulher é totalmente diferente de colocar a mulher no mesmo lugar do homem.
O feminismo, para muitas pessoas, parece se focar em igualar a mulher ao homem. Quase como se fossem (ou pudessem vir a ser) a  mesma coisa. E tem gente que quer a toda custa fazer isso mesmo que o processo signifique desprover a mulher de qualquer feminilidade. Qual liberdade você esta dando a uma pessoa ao impedir ela de ser o que é?

A conversa se perdeu em ma mistura de argumentos, falacias e calunias depois disso, visto que "machista" provavelmente foi a pior coisa que eu podia ter dito para ela. Eu, e meu personagem ofensivo, nos retiramos do jogo. Eu não gosto de jogar de DPS selvagem e não vou me forçar a faze-lo só por que outra jogadora acha que o mundo devia ser dominado por amazonas malucas e reinado pela Xena.

Vai saber...

Um comentário:

  1. É cara, pensar com a própria cabeça é e sempre vai ser tenso.

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Comentários